Músicas
Procure escutar com atenção: Angela Brandão. Daí, quando os medalhões da
MPB citarem suas belas composições, você vai lembrar que ouviu aqui antes.”
Programa Escala Brasileira - Rádio Senado FM
Conheça o disco, baixe as músicas, leia as letras!
| 01. Sábado | ouça | baixe ![]() |
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| 02. Maré de Sorte | ouça | baixe ![]() |
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| 03. Requebrado | ouça | baixe ![]() |
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| 04. Devolve | ouça | baixe ![]() |
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| 05. A ferro e fogo | ouça | baixe ![]() |
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| 06. Eu vou sem mim | ouça | baixe ![]() |
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| 07. Era saudade | ouça | baixe ![]() |
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| 08. Cabra de peia | ouça | baixe ![]() |
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| 09. Convite | ouça | baixe ![]() |
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| 10. Mais que perfeito | ouça | baixe ![]() |
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| 11. Frestas | ouça | baixe ![]() |
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Ficha Técnica
Produção Musical: Paulinho Albuquerque • Arranjos: Leandro Braga • Voz: Ângela Brandão • Pianos: Leandro Braga • Guitarra: Leonardo Amoedo • Violão: Cláudio Jorge • Baixo: Bororó • Percussão: Marçalzinho • Bateria: Jurim Moreira • Trombone (em Requebrado): Sergio de Jesus • Sax (em Mais que Perfeito): Humberto Reis • Participação especial (em A ferro e fogo): Moska • Engenheiros de gravação: André Coelho (Deco), Rodrigo Duarte e Rodrigo Lopes. • Assistente de estúdio: Gabriel Arbex • Mixagem: Guilherme Reis • Gravado e mixado no Estúdio Discover (Rio de Janeiro) em 2005 e 2006.
Angela Brandão na voz de outros artistas
Artista: Vanessa Pinheiro
Álbum: Vanessa Pinheiro
Canção: Pobres mortais (A. Brandão / V. Pinheiro)
Artista: Vanessa Pinheiro
Álbum: Varanda
Canções: Voltei (A. Brandão / V. Pinheiro) - Era saudade (A. Brandão / V. Pinheiro) - Com a corda toda (A. Brandão / V. Pinheiro) - Melodia visual (A. Brandão / V. Pinheiro) -Varanda (A. Brandão / V. Pinheiro) - Sem competição (A. Brandão)
Artista: Paula Nunes
Álbum: Paula Nunes
Canção: Convite (A. Brandão)
Artista: Silvio Carvalho
Álbum: Mar de Histórias
Canção: Choro para Lydia (A. Brandão)
Artista: Maíra Santiago
Álbum: Maíra Santiago
Canção: Só Lamento (A. Brandão / André de Moraes)
Letras - CD Maré de Sorte
Sábado (sabe-se lá)
(Angela Brandão)
Deus, quando fez o universo
Trabalhou seis dias deixou um pra apreciar
Eu que sou bem mais perverso
Queria fazer o inverso
Mas como não posso também não vou reclamar
Só que chega sábado e eu não presto
A não ser pra me esparramar
Porque na vida de resto
Sabe-se lá…
Recolhe a rede, pescador
Tira o barco de alto mar
(odo iyá, Yemanjá)
Que sábado é dia de balangar
Na rede que Cristina
Criou no tear
Sábado, eh, ah,
Sábado, sábado, sádabo,
Sábado, sabe-se lá…
Longe ouço o som do tambor
Alguém começa a festejar
(Diz onde que eu vou pra lá)
Que sábado é dia de se entregar
Pra no dia seguinte
Cristina cuidar
Sábado, eh, ah…
Maré de Sorte
(Angela Brandão)
Haja galho de arruda
Muda de pimenteira
Patuá e medalha no pescoço
Dá-lhe banho de sal grosso
Trevo, romã na carteira
Haja moeda no poço
Três batidas na madeira
Porque hoje o dia amanheceu aberto
E eu também
Então valei-me, meu São Jorge
Porque hoje eu sei que tudo vai dar certo
Você ta por perto
E eu to na minha maré de sorte.
Rebolei meu requebrado mais prosa
Num vestido cor de rosa
De barra rendada
Nariz apontando pro alto
De cima de um salto
Como quem não deve nada
Botei num decote do bom
O meu peito em pedaços
E ajustei o vestido
Até não sobrar espaço
Soltei o cabelo que andava preso por costume
Exagerei no tanto de perfume
Nas cores da pintura
Só pra gritarem “vem cá, gostosura”
De dentro do bar do Tonico
E eu dizer
Deixa disse, negão, que eu não sou pro teu bico.
Quase você me convenceu
De que era eu que não te merecia
Mas quem diria
Um dia, Mariana me falou
Que o que não tem solução
Deixou de ser problema
Então aprendi
Já que sou filha de Xangô
Que em matéria de dor de amor
Quem perdoa já se vingou.
Ah, se não for pedir demais
Já que pra você tanto faz
Faz a gentileza,
Segue o meu conselho
Devolve a imagem que eu via no espelho
Sabe os velhos planos? hoje eu improviso…
Sabe a minha aposta? Eu to no prejuízo
Sabe aquele riso de criança
Sabe a minha autoconfiança?
Sabe a minha calma? Olha como eu fico.
Sabe os meus poemas, as canções do Chico?
sabe aquele pingo de consideração?
Sabe o meu tesão… eu te suplico!
Pois é…
Devolve
Porque pensando bem eu mereço
Devolve
No mesmo velho endereço
Tudo o que eu era no começo
O que você me tirou não tem preço
Sabe aquela calma, aquele controle?
Lembra a minha pele, o meu phisicque du role?
Tanto investimento, tanto tempo, tanto sonho?
Sabe a fé que eu tinha em Santo Antonio?
Sabe o meu pudor? Eu ando em carne viva!
Lembra aquele humor, eu tinha esportiva…
Sabe a minha cara à tapa, a minha mão no fogo?
Sabe aquele antigo azar no jogo?
Pois é
Devolve…
A ferro e fogo
(Angela Brandão / André de Moraes)
Se entre nós dois
É tudo assim a ferro e fogo
Se quando eu erro você julga que é um jogo
Então, por que
Que a gente ainda ta junto?
Se, às vezes, quando você fala, eu ignoro
Se pra você não muda nada quando eu choro
Então, por que
Que a gente ainda ta junto?
Se quando eu peço você ouve uma cobrança
Se eu não mereço mais a sua confiança
Se já não somos aliados,
Qual o sentido dessa aliança?
Se já não pode mais ser o que foi um dia
E o silêncio é pra não tocar no assunto
Será que isso é amor ou teimosia?
Será – por que será
Que a gente ainda ta junto?
Eu vou sem mim
(Angela Brandão)
Eu, que quando não sou eu, sou só eu mesmo
De vez em quanto sigo assim a esmo
Perdendo os passos pregados na rua
Eu, que estou no palco mas que sou platéia
Às vezes, não faço a menor idéia
De quem é esse outro eu que atua
Eu sigo assim
Falando tanto quanto estou calado
Achando graça quanto estou chorando
Fazendo samba quando eu quero um fado
Eu sigo assim
Às vezes, caminhando ao meu lado
E, às vezes, como um trem descarrilhado
Eu simplesmente vou sem mim.
Era Saudade
(Ângela Brandão/ Vanessa Pinheiro)
Sabe aquele arrepio
Era saudade
Achei que era frio
Era saudade
O corpo tremia inteiro
Vespeiro dentro do peito
Um medo passando estreito
Era saudade
O olho em maré alta
Era saudade
A chuva fazendo falta
Era saudade
Pensei que era um mal
Que podia ter cura
Verdade mais pura
É que era saudade
Cabra de peia
(Angela Brandão / André de Moraes)
Pescador, cabra de peia
Quando chega a lua cheia
Quer pescar fora do mar
Chama as moça de sereia
Deita com elas na areia
Promete se remendar
Mas depois nem bem clareia
Pega a rede e a candeia
Pra seguir o seu caminho
E se a dor não remedeia
É porque o cabra de peia
Sabe que é um cabra sozinho
Só que as moça se aperreia
Já não existe na aldeia
Quem queria sua companhia
A não ser a tal Maria
Porque essa, volta e meia,
Lhe espera no fim do dia
Dizem que é porque é feia
E não tem sangue na veia
Não sabe se dar valor
Mas pra Maria é amor
E a liberdade é a teia
Que ela fez pro pescador
Quando recusaste o meu convite
A mesa já estava posta
E eu, com roupa para festa,
Esperava em pé na porta
Mas só mandaste o recado
De que andavas ocupado
Que eu deixasse pra outra hora
Esfriou na caçarola
A receita que eu te fiz
Chorei junto à vitrola
Cartola na voz de Elis
Mais tarde sonhei que vinhas
Pedindo desculpas minhas
Num bilhete, poucas linhas
Confessavas-te infeliz
E eu respondia que aqueles dias não voltam
Mas a verdade é que eu não consegui esquecer
E, acordada, meus olhos ainda te escoltam
Mesmo quanto passas longe fingindo não ver.
Mais que perfeito
(Angela Brandão)
O teu adeus virou véspera
Não levo mais a culpa como fardo
Então te peço
Não guarda rancor
Por favor, porque eu também não guardo
Meu coração já não bate apertado
Ao contrário, batuca no peito
Bem no compasso desse samba que eu te faço
E que me faz ficar alegre desse jeito
Porque um amor que termina em samba
Teve um final feliz mais que perfeito
Frestas
(Angela Brandão / André de Moraes)
Aos poucos
O dia vence a persiana
A luz derrama no colchão
Filetes feitos à navalha
Cortantes como a solidão
Em vão,
Eu tento então cobrir as frestas
Fingir que o tempo adoeceu
E a única opção que resta
É esse breu só meu e teu
É esse breu
Onde eu entrego
Instantes órfãos de futuro
Turva imagem em que eu misturo
O que eu sou e o que eu queria ser
Onde ninguém,
Ninguém precisa escolher
E a pressa perde as esporas
Enquanto a culpa mingua do lado de fora
Mas não
Parece até que o dia faz questão
De entrar no quarto como um ladrão
Pra cometer o ato desumano:
Fazer com que pareça que é loucura
Tentar abandonar a armadura
Que apelidamos de cotidiano


